Repudio pelo diferente é uma reação natural do homem, talvez por uma série de questão sobre manutenção da espécie. Aceitar, e ajudar, o diferente é algo aprendido na sociedade, ou pelo menos deveria ser. Crianças exprimem de forma espontânea o que pensam sobre o mundo exterior, não criaram ainda uma autocensura forte. Influenciados ainda pelo efeito do grupo, que é exibir seus instintos mais animália quando o grupo também os exibe, tomam atitudes que talvez nós considerássemos grotescas, mas altamente parecidos com atitudes de outros animais quando em bando.
Sim, o que você acabou de ler não está errado, eu realmente estou comparando crianças com animais, pois é isto que nós somos, animais. Mas diferentes dos outros exemplares do reino animália, temos a elevada capacidade de nos comunicar uns com outros e de formar com extrema perfeição aquilo que é nosso maior triunfo: sociedade. E esta sociedade tem regras, e uma das primeiras é respeitar as diferenças, pois ninguém é igual, e essa diferenciação é o que permite a diversidade genética, essencial para a manutenção da espécie.
Então entra em cena o papel da mãe, que como outros casos do reino, exercem uma função alem de pari sua cria, a de cuidar e ensinar a cria a viver, papel também de responsabilidade dos pais. Fazemos isso, ensinamos nossos filhos a caçar (fazer compras), a hierarquia (respeitar pai e mãe), a brigar pela fêmea (conquistar a namorada) e por ai vai. Entretanto, com o aumento da carga horária trabalhista dos últimos anos, os pais/responsáveis legais esquecem dessa pequena função: en-si-nar. E com isso a casa cai.
Menino de 9 anos é internado após agressão em escola
O Menino Marco Antônio, de 9 anos, foi agredido por cinco garotos da mesma faixa etária dentro da sala de aula e na saída de uma Escola Estadual, anteontem, numa cidade próxima à região de Ribeirão Preto (SP). Devido à agressão, ele foi internado e passou por exames de tomografia e ressonância magnética em Ribeirão Preto. Marco terá alta hospitalar amanhã e usará colar cervical por 15 dias.
Segundo a mãe, de 27 anos, o filho sofre com as brincadeiras de colegas porque é gago. Após a agressão na escola, ele não mencionou nada em casa. Dentro da sala de aula (3ª série), ele foi atingindo por um soco, um tapa e um golpe de mochila. Na saída da escola, a inspetora o mandou sair pelos fundos, mas os agressores perceberam e o cercaram, desferindo socos e chutes em seu corpo.
Na manhã de ontem, Marco acordou com o pescoço imobilizado. A avó o levou à escola e os cincos agressores foram mandados para a casa pela direção. Revoltada, a mãe quer processar a escola e ainda retirar os três filhos dela – Marco é o mais velho dos irmãos. A delegada Maria José Quaresma, da DDM, disse que cinco garotos foram identificados e serão ouvidos nos próximos dias.
O caso, registrado na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), será investigado e passado à Curadoria da Infância e da Juventude. A Secretaria Estadual da Educação informou que foi aberta uma apuração preliminar para averiguar a denúncia de agressão entre alguns alunos da escola. “Caso seja constatado que o fato aconteceu dentro da escola, o Conselho Escolar vai definir as medidas punitivas em relação aos estudantes, como, por exemplo, a transferência de unidade”, disse a nota da Secretaria.
Agência do Estado, 18/09/2009
(Para uso neste Caderno, os nomes, assim como outras informações que possam identificar os envolvidos, foram substituídos ou suprimidos.)
Ribeirão Preto (SP) foi um exemplo claro disso. O que leva cinco garotos de 9 anos agirem como cães, cercar e agredir um outro menino só por ele ser gago? O preconceito infantil não pode ser resposta o suficiente para isso, pois ele se manifesta em forma de brincadeiras humilhantes ou apelidos pejorativos. O que faltou a essas cinco crias foi limite. Alguém que falasse não, os impedisse de seguir com esse preconceito. Afinal, não nos esquecemos que crianças não sabem quando parar, elas continuam até um adulto as pará-las ou outra força exterior. Então devemos conscientizar nossos queridinhos sobre diferenças, necessidades especiais e outras coisas mais. Pois é para isso que estamos aqui: pais, mães, educadores. Somos exemplos para os pequeninos, querendo ou não, somos exemplos. Então, paremos e coloquemos nossas cabeças para funcionar direito e, ao invés de chorar pelo leite derramado e ignorar essa situação em que vivemos, vamos encontrar um meio para que isso não retorne a acontecer.
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